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Aula 02 – História da comunicação

Curso: Design Básico

Design e comunicação andam de mãos dadas. Ter noção de como surgiu a comunicação ajuda a entender de onde surgiu o design, informação vital para quem está começando na área. Nesta aula vamos fazer um resumo da história da comunicação e arte. Não vamos cobrir tudo - isto depende de você para correr atrás, mas vamos focar nas partes que importam para o design.

Surgimento da arte

A arte surgiu nas culturas pré-literárias e pré-históricas, entre 100 mil a 50 mil anos atrás. Os primeiros exemplos de arte pintada são as pinturas rupestres em cavernas por tribos nômades. Eram realizadas em policromia (várias cores) com objetivo de imitar a natureza com realismo, baseado em observações feitas durante as caçadas.

Existe discórdia entre o motivo das pinturas: alguns estudiosos defendem que eram parte de rituais mágicos para garantir sucesso na caça, outros defendem que era para transmitir conhecimento ou meramente produzir arte.

Entre as pinturas rupestres mais famosas, temos as cavernas de Lascaux na França e Altamira na Espanha. Também temos manifestações de pinturas em cavernas no Brasil, com destaque para Naspolini em Santa Catarina e Toca da Esperança na Bahia.

Pintura na caverna de Lascaux

Photography of Lascaux animal painting - Prof saxx

Surgimento da escrita

A escrita foi um avanço na tecnologia humana vital para a formação do mundo como conhecemos hoje e para entender sobre o design, precisamos entender como surgiu essa primeira forma de comunicação.

A arte como forma de comunicar através da escrita surgiu apenas em 3.500 a.C - recentemente, levando em conta a história do ser humano.

Os sumérios são considerados a civilização mais antiga da humanidade, localizado na região sul da Mesopotâmia, atual Iraque. Eles que criaram a escrita cuneiforme (em forme de cunha). Essa escrita começou como um sistema pictográfico, onde cada elemento representava uma ideia ou objeto.

Escrita cuneiforme. Foto por Canha

Escrita cuneiforme. © Sean "Canha" Berg / CC-BY-SA-3.0

Com o tempo, os sumérios passaram a escrever em tábuas de argila usando um caniço afiado chamado estilete. Os pictogramas foram simplificados para diminuir o tempo gasto para produzir os textos, já que entalhar em argila não é um processo muito fácil. Os textos produzidos variam entre cartas pessoais, de negócios, transações comerciais, receitas, vocabulários, leis, hinos, rezas, magias, observações astronômicas e medicina.

Na China, durante a dinastia Chang, existem registros de escrita que pesquisadores acreditam ter mais de 8.600 anos de existência que a tornaria mais antiga que a escrita cuneiforme. Mas como a data exata do surgimento destas provas não é concreta, não sabemos a veracidade desta informação.

No Egito antigo (por volta de 3.200 a.C.) a escrita era em forma de pictogramas, conhecidos como hieróglifos. Destaque para a Pedra de Roseta, uma pedra de granito descoberta em 1799 por tropas napoleônicas em uma expedição francesa ao Egito. O bloco traz o decreto do Rei Ptolomeu V escrito em 196 a.C. O que torna este bloco tão importante, é que ele foi escrito em 3 línguas: hieróglifos, demótico (variante do egípcio tardio) e grego. Até então, acreditava-se que os hieróglifos eram puramente simbólicos e sem qualquer valor fonético pois não havia quem conseguisse traduzi-los. Em 1822, Jean François Champollion anunciou a decifração dos hieróglifos egípcios, usando da Pedra de Roseta.

Pedra de Roseta. © Hans Hillewaert / CC-BY-SA-3.0

Pedra de Roseta. © Hans Hillewaert / CC-BY-SA-3.0

É na Fenícia, atual Líbano (em 1.100 a.C.), que surge o primeiro alfabeto com letras individuais em vez de imagens usadas para representar algo. Baseado em pictogramas egípcios, o alfabeto fenício de 22 letras não tinha símbolos para representar sons de vogais e era escrito da direita para a esquerda. Os gregos adotaram este alfabeto em 800 a.C., adicionando as vogais. Os gregos escreviam apenas usando letras maiúsculas (caixa-alta) e os textos eram lidos linha-a-linha de forma alternada; da esquerda pra direita na primeira linha, e da direita pra esquerda na próxima.

Exemplo de alfabeto fenício

Exemplo de alfabeto fenício

Alfabeto grego © Marsyas (2007)

Alfabeto grego © Marsyas (2007)

De início, as letras gregas eram desenhadas a mão livre, sem o uso de compasso ou régua mas em linhas retas e sem serifa. Com o passar do tempo, as letras ficaram mais grossas, curvas, e serifas começaram a aparecer.

Foram os romanos que passaram a adicionar espaço entre as palavras, moldando o alfabeto grego para o modelo latino, que é o que usamos hoje. Eles também são os responsáveis pelo embelezamento das letras e consequentemente o surgimento da tipografia.

Alfabeto romano (Adrian Pingstone)

Alfabeto romano (Adrian Pingstone)

Por volta do século IV d.C., as letras romanas tinham se tornado ainda mais arredondadas, as formas curvadas sendo mais fáceis de serem escritas. Chamamos esse tipo de caligrafia de "caligrafia uncial" - a úncia sendo a medida romana para uma polegada, tamanho das letras daquela época.

A semi-uncial, que surgiu por volta do século VI, era escrito entre quatro linhas horizontais permitindo o surgimento de ascendentes e descendentes.

Enquanto as semi-unciais romanas eram escritas em um eixo mais confortável e clássico, em outras regiões a caligrafia ganhou aspectos diferenciados. Destaque para a semi-uncial irlandesa, escrito com uma caneta em posição quase perpendicular ao papel que apareceu entre os séculos VII a IX. Já na Inglaterra, a semi-uncial evoluiu de outra maneira, sendo mais condensado e de outro ângulo.

Tipografia Irlandesa (Peter Clarke)

Tipografia Irlandesa (Peter Clarke)

Entre os séculos XII a XIV, surgiu a tipografia gótica que culminou como expressão artística da idade média. O termo "gótico" foi dado pelos italianos, usado para descrever as culturas barbáricas ao norte dos alpes italianos.

De acordo com alguns historiadores, a caligrafia gótica não era relacionada ao povo gótico, mas sim um estilo influenciado por vários fatores e grupos culturais, inclusive a arte saracênica - influência islâmica, resultado das Cruzadas. Esse estilo tomou conta da atual França, Alemanha e Inglaterra. Durante esse período gótico, aumentou a quantidade de igrejas e universidades, aumentando a demanda por livros que eram escritos ainda por escribas utilizando essa tipografia.

Livros © Sean "Canha" Berg / CC-BY-SA-3.0

Livros antes do tipo móvel © Sean "Canha" Berg / CC-BY-SA-3.0

Surgimento do tipo móvel

A prensa já existia na China, Coréia e Japão desde o século I, e a impressão com blocos de madeira esculpidos já existia na Europa desde aproximadamente 1300. Foi só em 1450 que a prensa com tipos móveis foi desenvolvida, um dos marcos mais importantes na história da humanidade pois permitiu trabalhar com a comunicação em massa com maior facilidade e a um custo reduzido.

O desenvolvimento da prensa de tipos móveis é tipicamente atribuída ao alemão Johannes Gensfleisch Gutenberg, mas existem estudiosos que defendem o holandês Laurens Janszoon Coster como o verdadeiro pai da prensa moderna.

Revolução Industrial e movimentos artísticos

Outro marco na história do design foi a Revolução Industrial, iniciada no Reino Unido em meados do século XVIII. Com o surgimento da máquina a vapor, o sistema artesanal de produção foi substituído pela produção em massa e em tempo reduzido, gerando produtos baratos e com qualidade inferior. O papel, por exemplo, passou a ser produzido da polpa de madeira criando um papel mais áspero e mais propenso ao envelhecimento. A encadernação também foi mecanizada e barateada, gerando uma perda de qualidade nos livros, impressão e qualidade da tipografia.

Por causa disto surgiu o movimento Arts & Crafts, um movimento internacional do design contra a produção em massa que resultava em design de baixa qualidade e péssimas condições de trabalho. O movimento surgiu na Inglaterra em 1860 e se estendeu até os Estados Unidos no século XX.

Liderado pelo escritor William Morris e inspirado pelas escritas de John Ruskin e Augustus Pugin, idealisticamente o movimento Arts & Crafts tentou juntar a arte e a indústria produtora. Os objetos do movimento eram simples em forma com decorações supérfluas, além de dar ênfase no material usado. Geralmente possuíam padrões inspirados pela flora e fauna britânica.

Exemplo de Arts & Crafts (John Henry Dearle)

Exemplo de Arts & Crafts (John Henry Dearle)

Pelo final do século XVIII surgiu a Belle Époque na França - a era de ouro da ilustração e design. Um elemento visual importante desta época são os posteres tipográficos, um processo de impressão que usava uma pedra ou placa de metal com desenho em cera ou substância oleosa que então era transferida para o papel.

A cromolitografia, um processo para imprimir imagens em cores, também foi utilizada em larga escala nessa época. Para imprimir em cores, três pedras eram utilizadas e cada uma era pintada com uma das cores primárias (amarelo, vermelho e azul). Quando o papel passava por cada uma delas, a tinta se misturava e criava novas cores, similar ao processo de impressão que utilizamos hoje.

É desta época que também surge o uso de imagens de mulheres bonitas em poses provocativas, para fazer marketing de algum tipo de produto, popularizado pelo artista parisiense Jules Cheret que criou estes cartazes.

Cartaz litográfico por Jules Cheret

Cartaz litográfico por Jules Cheret

Por volta de 1880, surge o Modernismo, um movimento artístico com objetivo de criar novas normas em vez de rever o passado, usando técnicas contemporâneas. O Modernismo também foi responsável pelo surgimento da primeira escola de design do mundo, a Bauhaus.

Escolas modernas de design

A Staatliches-Bauhaus, literalmente "casa construída", foi a primeira escola de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda e funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha. O estilo tanto na arquitetura quanto bens de consumo primava pela funcionalidade, custo reduzido e orientação para produção em massa sem jamais se limitar a estes objetivos.

Um dos principais objetivos da Bauhaus era de unificar a arte, artesanato e tecnologia. É ali que surge também a famosa frase "A forma segue a função" que era uma crítica ao ornamento adotado no período de Arts & Crafts e visava focar nas formas refinadas e purificadas, desumanizando o produto.

Um bom exemplo de arquitetura Bauhausiana é Brasília, projetado em grande parte pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

Congresso Nacional, projetado por Niemeyer (Mario Roberto Duran Ortiz)

Congresso Nacional, projetado por Niemeyer (Mario Roberto Duran Ortiz)

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Bauhaus foi fechada pelo partido nazista por ter ideologistas esquerdistas conflitantes com a ideologia do partido.

Após a guerra uma nova escola de design foi fundada na cidade de Ulm, na Alemanha, por ex-alunos da Bauhaus, popularmente chamada de Escola Superior da Forma de Ulm. É nesta escola que surgem as obras mais importantes do design, como os produtos da Braun, projetadas em grande parte por Dieter Rams.

Rams, um dos designers mais famosos desta escola é responsável também pela célebre frase "menos porém melhor", marco que influenciou o Minimalismo.

No Brasil, a Escola Superior de Desenho Industrial (ou ESDI) foi fundada no Rio de Janeiro em 1962 por Karl Heinz Bergmiller e Alexandre Wollner, aluno da Escola de Ulm. Esta foi a primeira instituição de ensino superior a oferecer o curso de design no Brasil e atualmente está integrada com a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

Como você pode notar, o design como profissão é relativamente nova se comparado a outras áreas, mas possui uma bagagem cultural que vai desde a pré-história. É importante saber sobre arte para entender como a comunicação surgiu e sugiro que você procure estudar mais sobre os diferentes movimentos artísticos.

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Professor

Canha - Fundador da Criativosfera, Sean "Canha" tem mais de 10 anos de experiência no mercado de design. Além de ser UX Designer, também é sócio do Choco La Design e fundador do antigo Design Blog. Você pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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