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Aula 03 – Processos do design

Curso: Design Básico

Como cobrimos na primeira aula, se não existe processo, não existe design. Um logo criado sem ter sido projetado deixa de ser um logo e passa a ser apenas um desenho. Se não existe um motivo ou objetivo para o que você está criando, é arte.

Mas quais os benefícios de seguir um processo de design?

Ele dá valor ao seu design

Ao estabelecer um processo de design que define objetivos claros e distintos, você e seu cliente podem avaliar com precisão o sucesso de um projeto. Além disto, esta informação é uma forma fantástica de conseguir trabalhos futuros pois demonstra a importância e a influência do seu processo de design no sucesso de uma empresa. No final do projeto, você pode analisar o resultado e descobrir o que pode ser feito para melhorar resultados futuros - algo mais difícil de se fazer sem um processo.

Ele ajuda a apresentar seu trabalho

Estabelecer e poder explicar o seu processo te dá os pedaços necessários para fazer uma apresentação mais organizada do seu trabalho. Apenas ter um processo cria uma justificativa para o motivo de você ter criado o que criou. Geralmente o cliente não tem idéia do que designers fazem ou o nível de dificuldade que é, mas ao explicar seu processo você coloca em contexto o motivo do seu design e como ele atinge os objetivos do processo e , teoricamente, deve permitir que você fique matenha as discussões relacionadas a estes objetivos.

Um exemplo clássico é quando um cliente, ao ser apresentado o projeto de uma identidade visual pede para que a cor de algum elemento seja trocada. Na maioria das vezes, esta decisão é tomada baseada puramente em gosto pessoal. Quando o designer possui um objetivo e um processo para chegar a este, a cor naturalmente será escolhida baseada nisto e a escolha da troca de cor poderá desviar o design do seu objetivo final. Se o cliente entende seu processo e sua motivação por de trás de suas escolhas, esse tipo de pedido de alteração supérflua e contrária ao objetivo final terá sua justificativa invalidada.

Ele te mantem organizado e produtivo

Quantas vezes você já não ficou sentado na frente de um papel em branco (ou tela) sem uma idéia sequer de como começar um projeto? Ter um processo, desde que não seja muito limitador, vai te permitir saber por onde começar. Seu processo deve te auxiliar em estabelecer um contexto onde o design vai ocorrer. É este estabelecimento de contexto que geralmente desorienta designers, mas é o que também define o sucesso de um projeto.

Ele estabelece credibilidade e cria valor

Você vê isto todo dia mas provavelmente nunca notou. É este o motivo pelo qual agências grandes justificam seus preços altíssimos: seu processo e os resultados implícitos que os tornam atraentes aos seus clientes. com tempo e refinamento, seu processo pode fazer o mesmo por você! Sem contar que isto te dá algo a escrever no seu portfólio e currículo além do fato de você saber como usar o Photoshop (pequena dica: todo mundo sabe usar o Photoshop).

Os processos do design

Existem uma discórdia substancial de como designers em várias áreas, seja amador ou profissional, sozinho ou em grupos, produzem design. Alguns autores defendem que "existem várias maneiras de descrever o processo de design" e discutem "duas maneiras básicas e fundamentalmente diferentes" disto, ambas possuem vários nomes diferentes. No entanto, os processos prevalecentes são chamados de "Modelo Racional" ou "Perspectiva Centrada na Razão" e "Co-evolução" ou "Perspectiva Centrada em Ação".

O Modelo Racional

O Modelo Racional é o mais ensinado nas universidades por possuir uma metodologia mais sólida e compreensível. Desenvolvido por Herbert A. Simon e publicado no livro "Engineering Design: Systematic Approach" pro Pahl e Breitz, o modelo postula que:

  1. Designers procuram otimizar um design de acordo com os objetivos e limitações conhecidos do produto;
  2. O processo é liderado por um plano;
  3. O processo do design é seguido em forma de etapas discretas.

Esse modelo é baseado na filosofia racionalista que, de acordo com ela, o design depende de pesquisa e conhecimento de uma forma previsível e controlável. O raciocínio técnico é o ponto central deste processo.

Vamos para um exemplo das etapas de um Modelo Racional:

  • Pré-produção do design (inclui um briefing ou questionário, análise de informações, pesquisa, especificações do problema, solução do problema e apresentação de soluções)
  • Design durante a produção (inclui o desenvolvimento da solução e teste)
  • Pós-produção (implementação da solução, avaliação e conclusão do processo)
  • Redesign (que pode ser feito antes, durante ou após a produção).

O Modelo Racional será estudado de forma mais aprofundada no curso de Design Intermediário.

O Modelo da Perspectiva Centrada em Ação

Ao contrário do Modelo Racional, este postula que:

  1. Designers usam a criatividade e emoção para gerar soluções;
  2. O processo do design é improvisado;
  3. Não existem etapas fixas e universais - análise, design e implementação são contemporâneos e indissociáveis.

Este modelo é baseado na filosofia empirista e desenvolvimento ametódico. Como o Modelo Racional, o processo depende de pesquisa e conhecimento. No entanto, a pesquisa e conhecimento são trazidos para o processo de design através do julgamento e bom-senso dos designers, ao contrário do processo previsível e controlado estipulado pelo Modelo Racional. A experiência e julgamento profissional do designer são mais importantes do que a racionalidade técnica.

Por ser menos intuitivo do que o Modelo Racional e depender muito da experiência do profissional, ele deve ser evitado pelos estudantes e novatos na área. De qualquer maneira, vamos também ensinar este processo no curso de Design Intermediário.

Seu próprio processo

Quando chegarmos ao curso de Design Intermediário, vamos aprender mais sobre estes processos de design. Você também vai aprender como criar o seu próprio processo. No entanto, vale resaltar que de início todo designer novato deve procurar seguir os métodos tradicionais até dominá-los bem. Digo isto pois sempre existe um designer que já quer "pirar o cabeção" em algo novo e diferente, sem levar em conta o que já foi feito; é necessário entender o design antes de querer mudá-lo!

Até a próxima aula!

 

Professor

Canha - Fundador da Criativosfera, Sean "Canha" tem mais de 10 anos de experiência no mercado de design. Além de ser UX Designer, também é sócio do Choco La Design e fundador do antigo Design Blog. Você pode encontrá-lo no Facebook ou Twitter.

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